Sinopse: Em meados de 1950, em uma fatídica noite no Novo México, a jovem Fay (Sierra McCormick) e o carismático radialista Everett (Jake Horowitz) descobrem uma estranha frequência de rádio que pode mudar a cidade onde moram e o futuro de todos para sempre.

Diretores: Andrew Patterson

Atores principais: Sierra McCormick, Jake Horowitz, Gail Cronauer

Gêneros: Terror, Drama

Logo de cara somos apresentados ao retrato de uma época. Ao parodiar Twilight Zone para introduzir a narrativa de The Vast of Night (2019); o diretor estreante Andrew Patterson evoca um sentimento nostálgico que se mantém mesmo quando há quebras na estética dos anos 1950.

Somos apresentado a Everet, um jovem locutor de rádio da cidade de Cayuga, Novo México. Em um longo plano sequência – método presente em toda a trama como um recurso mega imersivo; conhecemos sua relação de mentoria e afetividade com Fay, uma adolescente de dezesseis anos que substitue a mãe no turno noturno da central telefônica da cidade.

Se por um lado há essa quebra no formato narrativo do século passado, onde apenas a vida adulta, masculina e carregada de uma moral intransigentes protagonizam; por outro, ao retratar a rotina diária de dois adolescentes em tal contexto, expõe críticas sociais atemporais com uma sutileza que nos pega desprevenidos. Destacam-se aqui o sexismo, o racismo e a ética jornalística.

Everett (Jake Horowitz) & Fay (Sierra McCormick)

O recurso de plano sequência cria uma sensação de urgência em torno da trama central ao mesmo tempo que transmite naturalidade e constrói as personas em cena. Um ótimo exemplo é quando acompanhamos Fay operar o painel telefônico enquanto um sinal estranho cruza as linhas. Fica difícil não se relacionar com as reações da personagem. Quando Everet se une a investigação, isso fica ainda mais explícito. Personagens e espectador compartilham todas as emoções, desde a curiosidade ao ceticismo.

A medida que Everet e Ray recebem os relatos sobre um possível contato imediato com “seres do céu”, somos agraciados com monólogos bem construídos, onde o diretor acrescenta fade in e fade out para reforçar a narrativa. O espaço escuro na tela convida o espectador a preencher a película com sua subjetividade. É uma verdadeira homenagem ao rádio e como a composição de áudio pode nos surpreender numa era extremamente visual.

Em resumo, a Vastidão da Noite consegue ser um sci-fi empolgante, imersivo e com ótimas referências que todo fã de Spielberg, Contos da Cripta e da literatura do insólito irá adorar.

The Vast of Night

Rádio WOTW de Cayuga. Clara referência ao romance Guerras dos Mundos (The War of the Worlds por H. G. Wells)

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